martes, 12 de febrero de 2008

E tomar banho de sol

Kaixo, meu povo!

Acabaram-se as provas, os trabalhos. Chega ao fim o nosso primeiro semestre.
Depois de 5 meses fora de casa, começamos a aproveitar as coisas turísticas que sempre nos rodearam, mas que nunca pensávamos em ir. Sempre procurávamos lugares mais conhecidos, paises, cidades que constatavam nos guías turísticos. Depois de conhecer Itália e Paris, e descobrir que o melhor dessas viagens é, realmente, pequenas coisas, lugares e momentos que nunca poderíam compor um guía dos melhores lugares visitados do mundo.

Na quinta, entediados com a vida em casa, na frente do computador, esperando que os baianos se recuperassem do carnaval para poder entrar no msn, eu, Flavinha e Matheus saimos de Bilbao rumo a costa vasca, mais a direita de Mundaka, a famosa praia onde todo ano acontece o campeonato mundial de surf. Nosso destino era Lekeitio.

Em todas as fotos de sites e folhetos sobre as praias de Bizkaia, sempre aparecia essa tal de Lekeitio, sempre com a foto de um porto de barquinhos, todo amontoados, branquinhos, vermelhos, coloridos, ao fundo seus prédios estilo europeu e um céu azul dando as caras. Mas quando descemos do ônibus, não espera encontrar muita coisa. Primeiro que a cidade não tinha um pé de alma, e o caminho da parada de ônibus até a praia parecia qualquer outra cidade, menos a da foto.

E sempre me surpreendendo! Bem caminhamos, bem chegamos a orla da cidade. E era do mesmo jeito. Mais bonita até pelo sol mais esplendoroso do que o das fotos. Um clima bom que parecia ser realmente melhor que o das fotos. E umas imagens que, mesmo sem câmera, eu sabia ia ser fotos na minha cabeça. Passaria hora fotografando cada detalhe daqueles barcos, das suas cores diferentes que formavam como um um mosáico entre o mar, os barcos, seus prédios e o grande azul do céu.

O melhor de Lekeitio, fora a sua própria cidade, é que foi a primeira cidade do País Vasco em que estive que a maioria dos seus habitantes (os pouquíssimos que deram as caras na rua) falavam euskera. Chega nos dava medo de precisar perguntar alguma informação e ser rechaçado por isso. Achei até interessante, porque vi um lugar de verdadeira identidade vasca. Velhinhos que usavam suas txapelas e falavam seu idioma que mais parece um japonês menos agressivo. Crianças gritando ama (madre em euskera) e aita (padre), e falando frases enormes em vasco. Eram tão pequenas que a gente achava que elas eram super inteligentes por falar uma língua dessas.

Gostamos do passeio. Tanto que no sábado resolvemos explorar agora Getxo, a cidade que fica defronte a Santurtzi, a cidade que a gente vive, só que em margens opostas do rio Nervión. Saimos de Santurtzi e fomos a pé a Portugalete para atravessar a Puente Colgante - uma ponte velha, que tem um barquinho pendurado na parte mais alta da ponte. Andar nessa ponte me lembra muito as idas e vindas de ferry-boat pra ilha de Itaparica, porque na ponte entram pedestres e carros.

Já em Getxo, na região de Areeta, resolvemos dar um passeio pela cidade e conhecer a orla. Fomos da área de Areeta-Las Arenas até a ponta da praia de Getxo, de onde a gente podia ver a Punta Galea, a ponta mais norte da Gran Bilbao.

Getxo é encantadora, apesar de extremamente elitizada. Agora a gente sabe que a elite bilbaína saiu do centro da cidade rumo a orla de Getxo e ocupou a região, construindo prédios bem estilizados, europeus, que lembram a Riviera Francesa (nas fotos, óbvio) ou o que deve ser Barcelona. São sobrados que sempre presam por detalhes arquitetônicos, que têm um charme - como diria uma boa revista sobre arquitetura. Com um bom dia de sol, deu pra sentir calor, tomar sol de calça jeans e tomar sorvete.

Sem desistir do nosso fim de semana "passeios raros", aceitamos o convite de Flavinha e trocamos subir o Funicular de Artxanda, para ver toda Bilbao, para fazer o caminho do "calçadão" de Bidezabal até a praia de Sopelana. Todo caminho é por cima de uma costa e provalvemente tem uma vista muito mais impressionante do que a que veria em Bilbao. Um mar azul nos acompanhava e um bem arrumado, bem arejado e ambientado calçadão nos esperava. No fim das contas, andamos quase 6 km e nem conseguimos chegar ao ponto final. Ainda entramos em bosque que possivelmente "A Bruxa de Blair" poderia fazer o seu número 3 ou 4.

E chegamos em casa mortos, cansados! Nada melhor que uma boa comida pra acalmar os músculos e o estômago. Que venha a comida de brócolis e os pimentões recheados! Depois, Heroes, dentes e cama.

Nada melhor do que não planejar um passeio!
Que venham mais!!

Bai?
Aguuuur!

miércoles, 6 de febrero de 2008

Indo atrás do caminhão?

Enquanto vocês continuavam esse clima bom da terrinha, e, ainda mais, aproveitavam a dádiva divina do nosso carnaval, cá estava eu sofrendo com um fim de semestre. Enquanto vocês saiam atrás do caminhão para fazer o carnaval, eu me matava de fazer um trabalho de "Fotoperiodismo" em um programinha de editoração bem chinfrin...

Apois, aí está o resultado do meu carnaval. Só uma sessão foi censurada por Tici, porque consta de fotos um tanto quentes para serem divulgadas. Hohoho!

E curti por aqui o carnaval de Bilbao, que tem rima e parecia um baile do Baiano de Tênis em tamanho maior. Concurso da melhor fantasia, bandinhas de fanfarra, crianças curtindo aquele mundo de fantasias. Caimos na folia de fantasia improvisada e tudo. Ao invés do caminhão, curtimos vários palcos. Dançamos freneticamente as músicas bascas como se a gente entendesse o que eles diziam. No fim, valeu! Deu pra esquecer, por algumas horas, a emoção que vocês estavam vivendo. E vejam as fotos do nosso carnaval!

Aguuur
























































































O RESTO DESSE ENSAIO FOI CENSURADO




































































CARNAVAL EM BILBO:





























miércoles, 30 de enero de 2008

A continuação do meu diário de bordo


Sim, eu sei que sou terrível nas atualizações. Mas chegaram coisas pra se fazer nessa faculdade. Tenho um trabalho de fotografia enorme pra entregar, 2 provas. Nada tão absurdo quanto a velha vida faconiana, mas tem me tomado tempo.

Por isso, o diário de bordo chega em breve na versão RESUMÃO PARA CONCURSO, porque só assim vou conseguir escrever pouco.

Adiantando aqui que as coisas vão indo bem. Passamos da crise dos 5 meses, da revolta de querer voltar e aproveitar o verão com todos os amigos, passou também a depressão e a vontade de não fazer mais nada. Retomamos a busca incessante por um novo ap, tentando ainda morar com algum estrangeiro pra treinar o castelhano. Perdendo um trem aqui, indo parar em Orduña (a 2h horas de trem) de lá, vamo aguentando Santurtzi e o Renfe. E vamos daqui também planejando novas viagens: Galícia, Navarra e Aragón, Marrocos e Leste Europeu. Todas a escolher...

Enquanto vocês curtem o calor e o maior carnaval de rua do planeta, me despesso aqui nos meus mísero 6º graus, preparando a fantasia para o carnaval de rua de Bilbao: pierrot, colombinas, alecrins, ou seja, o baile de carnaval do Baiano de Tênis invade a GranVía até a Plaza Moyua de Bilbao.

Bueno, chicos.
Aguuuuur

martes, 8 de enero de 2008

Un grand voyage per facere en el fin de año

PARTE I

Enfim, chegamos ao fim do ano. Enquanto vocês vivem o mais caloroso dos verões baiano, estou por aqui, sofrendo com o frio, com ventos cortantes e gélidos, com roupas à moda "bolinha", que me deixa quilos e quilos mais gordo. Na tentativa de amenizar todas as saudades - das camisetas, da poucas roupas, das idas e vindas a praias, ao clima bom de Natal e Ano Novo - eu e minha trupe, a mesma que partiu de Bilbao rumo as terras lusitanas (nao tive tempo de postar, mas eu, Ugo, Nina, Tici e Breno estivemos em Portugal), saimos para as viagens de fim de ano. E eis que abaixo segue o grande diário de bordo, com coisas e coisas que nos aconteceram, na tentativa de relatar esses grandes dias no velho mundo. Aproveitem, se deliciem, imaginem, vivam comigo o que vivimos durante esses 20 dias.

Dia 17 - ROMA, CITTÁ APERTA
Partimos de Bilbao numa manhã fria. Nosso primeiro destino era Santander, cidade que fica na regiao da Cantrábria à não menos que 1h30 do País Basco. De mala, cuia e tudo que era possível para 20 dias longe de casa nas mãos, pegamos o vôo da Ryanair, companhia low coast da Europa, rumo a Roma. Pisar em Roma, primeira das nossas paradas, era sinal de frio na barriga. Quando a gente vive num mundo em que viajar para Europa é sonho, mesmo quando tudo parece tão perto do que você imagina, a sensação é de que continua sendo um grande sonho.

Pois bem, sonho ou não, aterrisamos em terras italianas. E fomos de lá direto para a casa de Marzia, irmã de Francesca, amiga italiana que anda perdida, como nós, em intercâmbio em Bilbao. Mas o clima na recepção não foi dos melhores, mesmo que a alegria de nos receber tenha sido a mesma de sempre. Marzia e Francesca recebia uma prima que entra numa história típica de qualquer "causo" de família, o que nós impedia de estar na casa dela. Sem conhecer nada de Roma, o resultado foi fazer uma pizza em casa e beber um pouco de vinho, até chegar o novo dia. Conhecemos nesse dia dois amigos de Marzia que marcaram já as simpatias pelos italianos, e a certeza de que os italianos do Sul são os brasileiros outra vez. Ana, de Nápoles, mal falava uma palavra em espanhol, mas nós falávamos assim mesmo, e ela nos respondia em italiano. Ugo, ainda desprovido dos conhecimentos da lingua espanhola, falava em inglês... As vezes, Nina até arriscava o francês com ela. No fim da contas, todo mundo entendia todo mundo e a torre de Babel não desabou.

Conhecemos Nicola, da região da Apulia, que é completamente apaixonado pela Bahia. Ele é músico, e foi ao carnaval de Salvador nesse ano. O cara curtiu dois dias de folia, e, talvez pela emoção de nunca ter visto coisa igual, caiu numa febre de 40º e teve que encurtar sua passagem pela Bahia. Mas levou com ele uma paixão, a percussão e o swingue da música baiana. A paixao virou tanta que ele agora estuda português através das músicas e pretende passar um tempo por lá, daquelas coisas de querer passar 6 meses, mas terminar os dias curtindo a Bahia. E assim ele contagiou Marzia, e no fim das contas, todos falavam baiano. Nenhum deles diz que falamos portugues, dizem que nossa forma de falar - cantada, porque eles imitam melhor que o Casseta e Planeta - e as palavras, girías que criamos formam um dialeto, como os que cada um deles tem em suas cidades. E daí começaram as classes intesivas de "baianês" e também de cultura baiana.

Dia 18 - O DIA EM QUE NOS LIVRAMOS DA PRIMA
E chega o novo dia. Dia de decidirmos o que fazer do nosso roteiro de viagem. Com laptops a postos, saimos em busca de lugares, albergues, meios de transporte... tudo para que pudessemos estar em Milao no dia 29 e pegar o avião com destino a felicidade, ah, a felicidade: PARIS! E não é que todos os deuses e divindades começaram participar da nossa viagem? Enquanto estavamos todos na luta para saber quando estariamos em Roma e, principalmente, em que lugar, a tal da prima diz que vai embora. Festas, pulos, gritos, agradecimentos à primeira participação divina na história, e também decisão das nossas vidas.

Nosso rumo agora era Veneza, a romantica cidade das gondolas e do Carnaval. Viajariamos as 22h da noite, em um trem regional que liga as grandes cidades italianas. Nosso roteiro, agora, já estava traçado: seriam 2 noites em Veneza, 3 noites em Florencia, e eu e Tici resolvemos passar, nesse meio caminho, por Bologna eem ce Pisa. Ainda sem conhecer Roma, no máximo as ruas que cortam os alredores da casa de Marzia, ficamos em casa com ela e Ana, a contar histórias, a conversar sobre a cultura italiana, a ouvir "tarantelas" (como essa aqui: Gabriella Ferri - La Società dei Magnaccioni). Marzia, que é atriz e faz trabalhos de clown e pernas-de-pau, fez uma pequena demonstração dos "estancos" (como sao conhecidas as pernas) e de como fazia nas boates e outras festas quando ficava metros mais alta (principalmente quando, em festas de musica latina, os coroas sempre pediam para dançar com ela).

As 22h, partimos a Veneza em um trem que só podia me lembrar o Expresso Hogwarts. Era pequenas cabines, com 6 cadeiras e que a gente podia dominar uma e nos apertar entre elas na tentativa de dormir. Mas confesso que dormir no trem não foi das melhores experiências... Com meus 1,87m de altura, e muitos de largura, distribuidos em uma cadeira um pouco mais larga e maior que a convencional me rendeu uma ressaca física terrível. O desejo por uma velha e boa cama, mesmo um colchão mofado, cheio de xanha, era o que mais queriamos.

Dia 19 - BUON GIORNO, VENEZIA!
Descemos em Mestre, cidade da região de Veneto cedinho, quando o sol ainda tirava seu longo sono. Esperamos o sol despertar - demorado por sinal - dentro de uma Mc Donalds e de um café, aproveitando para matar a fome com o famoso capuccino italiano (que não é o mesmo que vocês tomam por aí; o original é um simples e incrivelmente delicioso café com leite) e uns croissants - ou cornetos como eles chamam.

De cara, já se percebe a diferença entre os italianos e os espanhóis. Imaginem em um povo grosso, que nao lhe trata bem e que a sua língua exige que eles falem como se tivessem realmente brigando! Esses sao os italianos. Mas são, com aqueles que conhecem, extremamente enérgicos, alegres e contentes, como nós brasileiros. Dá pra se sentir de certa forma correspondido com tanta energia que exala da gente, da nossa forma de falar e gesticular (falar italiano é sinal de ver mãos e mais mãos movendo-se em um compasso desordenado).

Com o buxo cheio, era hora de procurar os albergues. Se preparar para a facada pra falar a verdade, porque demos a grande sorte de desembarcar na cidade em que hospedagem já é cara por natureza em pleno dia que começava a alta estação de inverno. E lá vamos nós, perdendo-nos pelas ruas da cidadezinha, atrás de no mínimo uma cama rasoável e um banheiro. Vai e vem pra lá, entramos em um pequeno hotel com aquele sentimento de " vamos só pra desencargar a consciencia". E não é que o atendente desse hotel era um brasileiro do Paraná? Identificados logo como "irmãos", ele ofereceu um roteiro turístico para os nossos dois próximos dias na cidade, com direito a dica de restaurante tipicamente italiano com preços acessíveis. O problema era que no hotel dele, não rolava ficar.

E lá vamos nós em busca de um teto. Encontramos um hostal - como aqui se chamam as pousadas vagabundinhas e as de beira de estrada - que era tipicamente um hostal: escadas estreitas, um lugar úmido, que parecia nós engolir para um frio pior do que o 0 grau que fazia na hora. A atendente de um inglês de esquina foi bem adjetivada por Ugo de biscate - aquela que vive de bicos! por favor, hein?. A idéia de ficar no hotel da biscate não agradou, mas deixamos uma pré-reserva, pois se acaso não nos sobrasse alternativa.

Pois surgiu em plena rua qualquer de Mestre uma pousada com cara de vazia. Preço acessível, quartos maravilhosos, dono super disposto a receber 5 espanhóis - sim, porque falamos espanhol e ele acreditou que eramos daqui! Quando decidimos que iamos ficar uma noite por aí e aproveitar o preço barato no hotel da biscate para economizar, seu Giuseppe, o dono da pousadinha impressionante, resolveu abaixar o preço. No fim das contas, acabou sabendo que eramos brasileiros pelos documentos, e nao perdeu em nada seu senso de humor e sua receptividade.

A figura de seu Giuseppe era de um típico italiano, com boina na cabeça e cachecol xadrez pendurado no pescoço, que podia ser facilmente confundido com um simples figurante das novelas italianas da Globo. Tinha uma cara de mafioso, daqueles que sempre usavam o "jeitinho italiano" - porque eles realmente têm isso - para viver a vida do seu jeito. De um sotaque carregadíssimo, sempre tentava ser o máximo simpático, e engraçado, no fim das contas, quando tentava falar um espanhol e um inglês. No final, acabou iniciando nossas aulas de italiano, sempre com uma nova expressão, com uma palavra diferente.

Com casa, comida e malas postas, só nos restava uma coisa: desbravar Veneza. Saimos de mestre em um trem intermunicipal. A curiosidade era tamanha para entender como um trem chegaria a Veneza, a famosa cidade inundada, em plena estação de transbordo da cidade, perto das paradas de ônibus. Foi aí que deu para entender a geografia do lugar, e perceber que a região é uma espécie de restinga que separa os canais e o rio que enchem a cidade do Mar Adriático.

Tentamos aproveitar as poucas horas de luz que nos restavam, mesmo chegando à cidade as 11h da manhã, porque no inverno da Italia a noite dar o ar da sua graça as 16h30 da tarde. Resolvemos fazer o itinerário sugerido pelo nosso compatriota, o de caminhar pelas ruas de Veneza até, finalmente, chegar a Piazza San Marco. Só que Veneza é uma cidade tão espetacular que não adianta caminhar por ela e seguir um mapa. O bom mesmo é se perder pelas ruas, admirar as pontes que ligam ps estremos do rio, perceber a dinamica da cidade. Ver que os carros das familias sao barcos e que nas portas de sua casa existem garagens no mar. Nessas idas e vindas por becos e ruelas que deu para tomar pela primeira vez o melhor sorvete para inverno, aquele que não é gelado. É um sorvete mais cremoso do que o normal, o que impede que ele vire gelo. Combinou muito com o tempo frio que fazia.

Por esse charme e características tão suas, Veneza nunca fica vazia. E estava extremamente entupida, em razão das festas de fim de ano. Ouvir o português e ver um monte de brasileiros em grupos e excursões passava a ser hobby, principalmente porque era mais um motivo para olhar para a cara de Tici e vê-la fazendo sua bela cara de fobia, com direito a grandes "abridas" de nariz.

De tanto se perder, chegamos a tal da Piazza di San Marco bem na hora que o sol resolvia dar adeus. Fomos realmente abençoados com um por do sol lindo sobre as aguas feias e sujas da cidade. Deu para enlouquecer de tanto tirar foto. Deu também para conhecer a praça famosa pela dança de Claudia Ohanna em Vamp (essa aqui), ser atacados por pombos, e admirar as gondolas em um movimento que é impossível nos deixar mareados.

Felizes, porém cansados, voltamos para Mestre, na tentativa de dormir e seguir o roteiro no outro dia.

Dia 20 - O DIA QUE BURANO ENTROU EM NOSSAS VIDAS
Acordados bem cedo, partimos de Mestre para Veneza - dessa vez de onibus - para conhecer duas ilhotas que ficam nos alredores da cidade. E o meio de transporte para esse itinerário eram os vaporetos, uma espécie de ônibus-barco. Engraçado é ver que as pessoas usam mesmo como meio de transporte, que nao é um truque do governo só para turista ver. Todo canto da cidade tem um ponto de onibus em pequenos cais.

Nossa primeira ilhota era Murano, famosa pela fabricaçao de vidro e de artigos derivados. Seguindo os conselhos de Flavinha e Dona Valdeth, tentamos acompanhar a fabricação de vidros, mas os fabricantes já haviam entrado em clima de fim de ano e fecharam as portas para visitação. Nos restava entao conhecer a cidade, que era extremamente feia.

Depois do momento "nada", excluindo a descoberta da pizza italiana, a original, a melhor de todas, partimos para nossa segunda parada, a ilhota de Burano. Ela é conhecida pela fabricação de rendas em toalhas, roupas, etc. Já sabendo desse detalhe, a expectativa para conhecer Burano eram as mínimas. Mas sabe aquele gosto bom da surpresa? Foi esse o sabor que ficou depois de realmente conhecê-la. É o tipo de cidade que surpreende pela sua simplicidade, pela sua calma, e pelas suas casinhas, todas coloridas. A sensação era a de estar passeando por um mini-Pelourinho transferido de continente, e sem o frisson turistico.

Burano era tão encantadora que fui capaz de me perder dos outros em uma cidade menor que o menor dos bairros de Salvador. E se tínhamos sido abençoados com um grande por do sol em Veneza, em Burano, o por do sol foi uma obra perfeita sem autoria. O que ajudou a torna-la como uma das melhores paradas em território italiano, quiça em território europeu. Foi nessa hora que eu realmente entendi o sublime das geniais aulas de Estética na faculdade.

Sublimados e bestificados, sem a menor vontade, voltamos para decidir o rumo do outro dia. Ugo, Nina e Breno partiriam para Florencia, enquanto eu e Tici pararíamos em Bologna para conhecer a região da Toscana. Essas já são cenas do próximo capítulo - que nao tardaram como as outras notícias.

miércoles, 21 de noviembre de 2007

Apois...


Como o tempo tem passado rápido. Chego me perco na hora de comecar a contar qualquer coisa que tenha, no mínimo, 5 dias passados. Pois entao, a 2 semanas atrás perdi minha carteira no ônibus. Culpa das calcas folgadas... E quem me conhece pode me chamar de lerdo, de avoado, o que for. Mas dessa vez, a culpa vai pras calcas folgadas. Simplesmente caiu do meu bolso, quando eu e Nina estávamos a caminho da aula de danca vasca (sim, eu conto depois...). O desespero que bate quando voce perde tudo que pode te identificar num país completamente distinto do seu é terrível. Perder a carteira no Brasil é fácil... Acorda-se as 6h da manha do outro dia, pega a fila do SAC, e "ya está". Mas quando se é imigrante, nao.

Voce comeca a pensar que, se algum policia de pára na rua, pede algum documento que te identifique, que comprove a sua legalidade no país, voce só tem uma simples xerox do passaporte. Que nao quer dizer grandes coisas, quando se tem um mundo de falsificacoes por aí. E diante disso, nada pra fazer. Mas o que me confortou a todo momento é que desde o policial da esquina até o motorista do ônibus me diziam: calma, uma hora ela chega. Pra quem vive no Brasil, e que tá acostumado com bate-carteiras e um abraco, me parecia um tanto estranho ter alguma esperanca. E foi sem esperanca alguma que ela me apareceu ontem, como se tivesse esperando a minha chamada para o servico de objetos perdidos da linha de ônibus de Bizkaia. Uma coisa é mundial: o dinheiro, neca. Porque seria muita inocencia pensar em achar 70€ intactos na carteira, mesmo que esse meio mundo de gente que pedia pra eu ter esperancas dissesse (meu deus, como se escreve isso? nao sei mais escrever portugues) que havia chance do dinheiro estar por lá.

Entretanto, antes da carteira aparecer, rolou muita coisa. Rolou a festa de conjunta de Nina e Tici, no salao de festas da residencia universitária onde mora a francesa Amandine. As meninas decidiram fazer uma festa junina fora de época. Pois entao, fizemos. Com direito a bandeirolas, correntes, baloes, tudo de revistas cortadas, penduradas pelo salao. A intencao era fazer tudo bem tipico, mas as comidas eram o grande problema. Armengamos, entao. Aproveitamos a farinha de milho que minha mae mandou por correio e fizemos cuscuz como pestico: com manteiga e com leite de coco improvisado (leite+coco ralado). Compramos amendoin (como se escreve amendoin/m mesmo? to com medo!) seco, porque por aqui nao se vende amendoin (?) normal. Fizemos brigadeiro e beijinho (o povo fica looooouco com brigadeiro, e chamam de bombom brasileño) e as velhas azeitonas e batatas Lays, pros que poderiam achar estranha toda essa combinacao.

Foi divertidissimo quando eu, Nina e Tici resolvemos nos pintar pra tentar fazer uma quadrilha. Quando saimos do banheiro, eu com barbas e dentes "podres", as meninas com trancas, batom vermelho-impossível, bochecas vermelhas com pintas, o povo nao se deu. E saimos pintando tudo quanto era gente. Teve gente que ficava com nojo dos nossos dentes, e faziam caras de "meu deus, que povo estranho!". Improvisamos uma quadrilha, mas nao era nada fácil falar coisas como "olha a chuva", "damas comprimentam os cavalheiros" traduzidas pro español. Nesse dia, foi o dia mais frio de Bilbao. Saimos todos encapuzados até o último fio de cabelo existente. A fumacinha que saia da boca, que antes era bem singela, saia como um rojao (beeem filmes em nova iorque). Os termometros chegaram aos 4º ou 3º durante o dia, e na volta pra casa, mesmo com vinho, que geralmente é uma boa solucao para o frio, sentiamos tuuudo dormente. O nariz congela de um jeito que nao se sente nem ao menos a coriza escorrendo (hahaha, otimo exemplo). Terrível. Na volta, os termometros marcavam -1º!

Depois do momento festa, na semana da festa e até agora, finalmente estamos tendo trabalho na faculdade. Finalmente, sinto que estou "estudando", apesar de ter só coisas práticas pra fazer. Na disciplina que nós três pegamos chamada Producción y Realización Audiovisuales, matéria de 4º do curso de Audiovisual daqui (ou seja, eles fazem curtas só no último ano), temos que fazer 3 ou 4 curtas e um programa de estúdio. O primeiro, já fizemos. Cada um de nós caimos em um grupo diferente, e cada um fez coisas completamente diferente do que queriamos. É complicado dar pitacos em trabalhos com o povo daqui, quando eles tem uma mesma ideia do que fazer, do que gravar... Essa semana, comecamos a gravacao de outro curta que concorre automaticamente em um concurso de curtas produzido pelo País Basco, o Nontzefilm - ou seja Noche Film em castellano.

Estamos os 3 em um mesmo grupo, junto com uma menina da Catalúnia que faz "intercambio" nacional por aqui, e uma vasca que mora numa cidadezinha da Cantabria. Nossa ideía saiu bem louca, que até me preocupava na execucao de tao teatral e muito danca contemporanea. Passamos a semana gravando imágens nas ruas de Bilbao que simbolizassem um automatismo da modernidade, para poder brincar com essas imagens em uma projecao com um ator tentando se livrar dessas "coisas". E foi um sofrimento fazer isso. Saimos de Bilbao para Santander, gravar em um teatro com o namorado de Garazi, a vasca. Foram dois dias de estresse, trabalho intenso, discussoes em cima de discussoes, e até de um certo desanimo, pelos estresses que tivemos com Garazi. Mas até que sairam algumas imagens legais. Trabalho vai ser agora a edicao. Espero que ela salve tudo isso. 2000€ estao em jogo!! Hahahaha

Ontem, chegaram em Bilbao Veka Sá, Driu, Maisa e Carol, prima de Driu. As tres primeiras faconianas aproveitando o pulo de Maisa dos "esteites" direto para España. Foi engracado conversar com as meninas e perceber a visao que elas tem quando chegam em Bilbao, de que é muito desconexa de tudo que elas conheceram da España. Como conheceram muito cantos do país, perceberam que todos os outros lugares têm uma coisa em comum, que permite dizer "é, eu tô na España" e que nao perceberam isso por aqui. Acho que é esse sentimento de País dos vascos, essa coisa de colocar o Euskal Herria (como se chama o País Vasco em euskera) acima de qualquer coisa. Acho que isso os tornam muito mais originais, sem justificar, ÓBVIO, o radicalismo de muitos.

É isso... Escrevi demais e passei do atraso.
A foto daí de cima é do Casco Viejo, que tá no nosso pensamento o tempo todo!
Por enquanto, sem fotos. As fotos do aniversario conjunto e do making-off do curta ainda nao passamos pro PC. Isso, em breve!
Vamos agora planejando o feirado de 06 de dezembro (acho que é o dia da Constituicao Espanhola), agora com uma tropa maior: Ugo tá chegando pra completar o time dia 30/11. Tamos querendo encontrar com Breno e Veca. Tem show dos Chemical Brothers dia 30 em Barcelona e dia 01 em Madrid. Tem planos também para dar um pulo nas terras patrícias, Portugal, ou mesmo tentar ir a Barcelona.

Bueno, chicos.

Aguuuuur

jueves, 8 de noviembre de 2007

Vejo saudade daqui...



















Saudade desse povo... De resenhar com eles todos os dias na varandinha. De marcar, de repente, um come-água no Julio Brega, comer o hot-morte mais decente do mundo. De quando todo mundo fica trêbado e comeca os papos putarias. Saudade dos encontros msnênicos para os trabalhos de cair cabelo. Principalmente, daquele contato de todo dia.

Oh saudade da molestia!
Faconianos de mi corazón!
P.S.: Lua, seu cao, faltou na foto. Ninguém mandou ir pra Alagode...

lunes, 5 de noviembre de 2007

Primeiro a decepcao, depois a festa

Fim de semana prolongado, com "puente" na quinta-feira.
Ebaaaaa! De mala e cuia na mao, saimos de casa na quarta-feira na intencao de viajarmos pra Galícia e matarmos as saudades dos nossos amigos faconianos B e Veca. 7 da matina, todos de pé. Corre pra lá, corre pra cá. Santurtzi-Bilbao-Termibus-Aeroporto. Loja de aluguel de carros. Nervoso. Agonia. DECEPCAO.

Viagem furada, rumo a faculdade. Computador a tarde toda. Mal-humor sem tamanho. O destino era passar o fim de semana em casa, enquanto todos estavam viajando. Tentamos encontrar solucoes, até uma viagem correndo pra Madrid-Salamanca, mas nao adiantava sair as pressas. Depois da onda de decepcao, só bastava uma coisa: afogar as mágoas. Entao, aproveitar a noite de Halloween nas ruas. Dar risada dos fantasiados, comer doces, beber... Foi provavelmente a última festa Erasmus. Apesar de ter sido incrivelmente divertida, com direito a doces, ser enterrado em plena boate, elas estao sendo cada vez mais cansativas. O mesmo povinho, a mesma coisa de sempre, aquela estrangeirada ouvindo musica ruim... Encontramos Francesca, nossa amiga italiana mais figura do universo, e fomos com os amigos bascos dela a uma outra boate. E digo que, definitivamente, Bilbao nao tem uma noite boa. Ou entao, nao sei onde estao perdidas as festas boas.

As 07h, voltamos. Depois de horas de sono, e sem a mínima vontade de ficar em casa - nossa casa agora é sinal de saudade ou sinonimo de nada para fazer - resolvemos fazer aquele passeio na Gran Vía e comecar a pensar no armário pro inverno. Fomos comprar tambem o presente de Dona Nina Maria, que completou suas 21 primaveras no domingo. Mas essa menina é a maior curiosa do mundo e acabou dando chilique quando viu eu e Tici tentando comprar o presente em segredo. Achou qualquer outra coisa menos que estavamos armando uma pro seu aniversario. Fomos esconder o presente na casa de Moritz (alemao), acabamos forcados a comer uma massa com beringela com ele. Por nossa conta, vimos um filme argentino chamado Ciudad en Celo.

Entao, chegou o sábado. O dia de arrumarmos uma FESTA surpresa pra Maria, que andava triste pelos cantos pelo primeiro aniversário no outono. Pois saimos e compramos um monte de coisas. Decidimos fazer um jantarzinho pra algumas poucas pessoas. Cerveja, vinho, champagne e cerveja. A menu incluía uma parte brasileira e outra internacional: peixe grelhado com farofa (que minha mae me mandou... e que tá matando uma saudade!!) e vinagrete; depois stronoff de frango com arroz e batata palha. Jóóóder!!! Comemos un "mogollón", como diriam eles. Bebemos um mogollón também. Até ensinamos pros estrangeiros - por sinal, a maior mescla: alemao, italiano, polaco e frances! - a brincar de "beber água".

Ontem, fomos dar um passeio em Plentzia, uma cidade de praia toda arrumadinha que fica a uns 30 minutos daqui. Se vai de metro, e ir pra praia de metro é a coisa mais estranha do mundo, mesmo com o tempo de ontem: ceu cinza, vento forte, frio de 14º. Todo mundo no agasalho... Passeio gostoso, só os tres, tirando fotos, no nosso ritmo de sempre, nas conversas boas de sempre. Bem que o italiano me falou que eu tenho as melhores companheiras de piso. Companheiras de piso, de amizade, de vida... Finalizamos com um café cappuccino improvisado em Santurtzi, e claro, Heroes antes da segunda-feira comecar.

Agora, fotos!
Seguidas, tem do nosso dia de "compras" em Bilbao [2], do aniversario de Maria [6] e do passeio em Plentzia[6]. Aprovechen!

Agur!

[ o ]*